Definindo bem Matheus 28:18

Algumas passagens bíblicas, se interpretadas tal como estão, no texto sagrado, podem nos conduzir ao erro. Em alguns casos, esse erro é evitado por uma simples verificação do contexto. Por exemplo: em Hebreus 11:6 está escrito que, sem fé é impossível agradar a Deus. Aqui, o verbo agradar, a menos que se prove o contrário, significa obter favores. Essa é uma das passagens que não devem ser discernidas isoladamente. Isto, porque o Senhor Jesus afirma, em Mateus 6:10, que é a vontade de Deus que prevalece. Portanto, embora tenhamos fé, ela deve ser conhecedora da vontade divina. Em outras palavras: só devemos fazer uso da fé, quando já conhecemos a vontade do Senhor; mesmo sabendo que para Ele não há impossíveis. Na verdade, o que queremos dizer, é que a fé não depende exclusivamente do poder de Deus, e sim de sua vontade. Portanto, definitivamente, podemos afirmar que, só devemos tomar posse da fé, quando já conhecemos a vontade divina (Romanos 10:17). Aqui, o Apóstolo Paulo diz que “A fé vem, quando ouvimos a palavra do Senhor”. E isso tem lógica. Pois, já que a fé só deve entrar em ação ao conhecermos a vontade divina, e tomamos conhecimento da vontade de alguém após ouvirmos suas palavras, para conhecermos a vontade de Deus, não será diferente.

Com relação ao assunto principal deste artigo (Mateus 28:18), é conveniente adicionar que, muitas vezes, Cristo falou por parábolas, ou de modo sutil, conforme o Salmo profético de número 78, que diz: “Abrirei os lábios em parábolas e publicarei enigmas dos tempos antigos”.

Os argumentos apresentados até agora justificam os textos de João 2:19, João 11:4, João 14:28 e Mateus 28:18. Quanto a este último, afirmamos que não devemos atribuir ao verbo dar, o seu sentido literal de “doação”. Porque, ali, com base em outros textos bíblicos, podemos admitir que o Senhor quis dizer que estava apenas retomando a sua glória, da qual Ele mesmo se esvaziou (Filipenses 2:7). Lembrando, ainda, que, o verbo mencionado em Filipenses é pronominal, e expressa uma ação praticada pelo sujeito, da qual Ele mesmo é o alvo. Isso significa que o próprio Jesus é que retirou de sobre si, a glória que antes possuía, e não uma outra pessoa. Portanto, o Senhor não poderia receber de um outro Ser, por doação, aquilo que já pertencia ao próprio Senhor.

As palavras de Cristo, nas passagens mencionadas, são típicas dos termos usados por Jeová Deus, ao longo do antigo testamento.

Tais, como Gênesis 3:9, Gênesis 6:6, Êxodo 3:7,8, Êxodo 33:20 e Io de Reis 19:13. Nessas passagens, a conclusão a que chegamos, é que o Senhor Deus falava aos homens, em linguagem humana. Por essa razão, afirmamos que não há contradição, em nenhum dos textos em destaque. Aliás, o fato de o Senhor se comunicar conosco em linguagem humana, é mais um motivo para encontrarmos, em sua palavra, as expressões: a mão de Deus, os braços de Deus, os pés de Deus, os olhos de Deus, etc. Até porque, todos fomos criados à sua imagem e semelhança. Por conseguinte, nada mais justo que Ele se relacione conosco, em nossa linguagem. Assim, como, para conversarmos com os passarinhos, temos que falar a linguagem dos passarinhos.

De tudo que dissemos sobre a maneira de o Senhor se comunicar conosco, convém citar Êxodo 33:20 e Gênesis 18:1,2; bem, como João 14:9 e João 14:28. Essas passagens são aparentemente contraditórias. Porém, no primeiro caso, Deus se refere a um contato com sua pessoa estando Ele na sua essência; no segundo, o Senhor Jesus menciona a sua pessoa divina e humana respectivamente. Eis o motivo pelo qual,

Cristo se diz menor que Deus (João 14:28), segundo Hebreus 2:9; pois o Homem Jesus era, até mesmo, inferior aos anjos.

A propósito, o fato de o Senhor se tornar Homem (sem, contudo, deixar se ser Deus), é uma questão de lógica; porque Ele não poderia viver entre nós, nem sequer, como anjo; uma vez que teria de experimentar a morte em nosso lugar; e sabemos que a morte é da natureza humana, e não dos seres angelicais. Sem dúvida, nesse texto, Jesus poderia até mesmo acrescentar que, os anjos, arcanjos, querubins e serafins eram todos maiores do que Ele. E, ainda assim, estaria correto.

Quanto ao texto de Gênesis 18:1,2, cabe salientar que houve, na visita ao patriarca Abraão, uma espécie de “esvaziamento” da glória do Todo – Poderoso (Êxodo 33:20). Isso não significa que Deus deixou de ser Deus para ser o homem que apareceu ao patriarca. A demais, esse fato vai além da compreensão humana e, é por essa razão, inexplicável! *

O mesmo argumento usamos, concernente a Cristo, que , em João 14:9, diz ser igual a Deus, e em João 14:28, menor que Deus. Mas, se observarmos o contexto (Hebreus 2:9), veremos que não há contradição; posto que o Senhor se referia à sua natureza humana. Essa é a única interpretação lógica, e que põe os dois versículos em perfeita harmonia.

Sem mais, ficamos por aqui, pedindo ao Senhor Deus que nos ajude a compreender a sua palavra!

* Observação: Sabemos que Deus se fez Homem. Porém, como isso aconteceu, não sabemos explicar. Para darmos uma ligeira ideia desse fato, apresentamos algumas comparações (embora se diga que toda comparação manca), usando elementos da natureza, como se segue: o Sol nascente e o poente são o mesmo de meio – dia; no entanto, quase não conseguimos encarar este último. Uma chapa de ferro, em ponto de brasa, não podemos apalpar. Só é possível fazer isso, depois de a esfriarmos; a água, em estado sólido ou gasoso, é a mesma, com dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio. E mais: bebemos água fresca, mas a que está fervendo, não conseguimos beber; ainda que seja a mesma água.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *