As escrituras sagradas apresentam passagens em que o Senhor do universo aparece para nós, de um modo que os estudiosos da Teologia classificam de presença teofânica ou teofania.

Essa maneira de o Criador se comunicar com a humanidade, ainda pode ser chamada de antropomorfia, isto é, forma de Homem. Esse fato se evidencia em Gênesis 18:1,2 e Gênesis 32:24-30.

Com relação ao assunto de que estamos tratando, é nossa intenção falar de algo mais importante ainda: a vinda do Todo – Poderoso a este mundo, em carne e osso.

É verdade que tal acontecimento deixa muita gente confusa. Mas ocorre que os fatos relatados neste artigo, são referentes a um Ser para quem não há impossíveis, e cuja existência transcende a razão humana.

Portanto, é perfeitamente admissível que Deus se fizesse Homem, na pessoa de Jesus Cristo, sem contudo, deixar de ser Deus. (João 1:1). Nesta passagem, o pretérito imperfeito do verbo ser (era), não tem o mesmo sentido, por exemplo, que na frase “meu cabelo era preto quando eu era jovem” (pois ele deixou, definitivamente, de ser preto). Quanto ao emprego do referido verbo no versículo mencionado aqui, o seu significado é outro. Isso, porque, sem dúvida alguma, o Senhor não deixou de ser a mesma pessoa de sempre. E é por essa razão, que Ele diz a Filipe: “Quem me vê a mim, vê Deus”.

Em Filipenses 2:7, lemos que o Senhor se esvaziou de sua glória, tornando-se Homem; fazendo- se, portanto, inferior aos anjos (Hebreus 2:9), por causa da paixão da morte.

É certo que Cristo viveu entre nós como um ser humano, porque teria de morrer pela humanidade. Eis o motivo pelo qual Ele não poderia estar conosco, nem sequer como anjo; visto que a morte não pertence à natureza angelical.

Em João 14:9, Cristo declara ser igual a Deus. Porém, no versículo28, ele diz ser menor do que Deus. Essa afirmação parece contraditória. Mas, se considerarmos que o Senhor se referia à sua natureza humana, neste segundo caso, então veremos que não houve contradição

Ademais, as palavras ditas por Jesus a Filipe, no mínimo dão a entender que Cristo é igual a Deus; porque, se assim não fosse, então a curiosidade daquele discípulo não foi satisfeita. Isto, porque, afinal de conta, ele queria conhecer alguém diferente de Cristo. Até porque, duas partes não podem ser iguais e, ao mesmo tempo, diferentes. Visto que o Senhor Jesus, por outro lado, afirmou ser menor que Deus.

Para esclarecer tudo o que dissemos, façamos a seguinte ilustração: consideremos os servos de Cristo, Lucas e Paulo. E agora, imaginemos que Lucas dissesse: “Paulo é maior do que eu”. Ora, se Paulo é maior do que Lucas, então, o mesmo Lucas jamais poderia dizer “quem me vê a mim, vê Paulo”; pois essas palavras não são próprias de uma pessoa, cujo potencial de grandeza é inferior ao de outra! Podemos esclarecer melhor ainda, usando uma linguagem matemática: se x > y, logo não se pode afirmar que, ver a incógnita “x” é o mesmo que ver a incógnita “y”. Isto, porque, sem dúvida alguma, trata-se de duas grandezas diferentes.

A igualdade entre Cristo e Deus pode ser vista, comparando as passagens de Isaías 43:11 e Lucas 2:11 do contrário o Senhor teria entrado em contradição.

Na verdade, Jesus possuía duas naturezas: a humana e a divina. Esse fato, pode ser definido como no caso de um rei, que aprendeu a profissão de mecânico; e, algumas vezes, ausentando-se do palácio real, retirava as suas vestes, e usava as de mecânico.

Assim, estando ele no exercício da profissão, e com as vestes de um mecânico, poderiamos afirmar que onde estava o rei, estava o mecânico, e onde estava o mecânico, estava o rei. E, sem dúvida alguma, qualquer pessoa que lhe dirigisse a palavra, estaria, ao mesmo tempo falando ao rei, e ao mecânico. E mais: sua majestade poderia, nessas condições, exigir de cada um, o respeito devido à sua realeza; ainda que ele estivesse com seu “macacão” todo sujo de graxa! Situação idêntica, vemos na pessoa de Cristo, que, embora sendo Homem, ele era o verdadeiro Deus! Por essa razão, o Senhor Jesus assumiu prerrogativas que, realmente, seriam blasfêmia, se Ele não fosse o próprio Deus. E, por isso mesmo, exigia dos ouvintes e de seus seguidores, um respeito e uma reverência, que, por direito, só caberíam ao Senhor Deus.

Quando Tomé lhe disse “Senhor meu e Deus meu”, em João 20:28, Cristo ouviu essa declaração, sem recusa. Se a sua deidade não fosse real, ele estaria, então, usando de má fé, ao aceitar tamanha honra, como se a possuísse. Exemplificando: se um diácono aceitasse ser chamado de pastor, sem possuir esse título, ele estaria assumindo uma posição injusta.

A propósito, uma vez que o Senhor Jesus afirmou: eu sou a verdade. Ele não poderia manchar sua integridade, admitindo ser o que não era. Aliás, o nome Jeová era o título mais excelente usado para Deus; e esse nome foi atribuído ao Messias, segundo Isaías 40:3 e Mateus 3:3.

Quanto às palavras filho de Deus e primogênito, elas devem referir-se à sua natureza humana. Do contrário, a Bíblia seria um emaranhado de contradições. Por exemplo, não podemos aplicar à palavra filho, em Êxodo 4:22, o seu sentido literal; pois é fácil concluir que o seu significado é outro. Sem contar que alguns textos carecem de um contexto, para uma perfeita definição.

As autoridades eclesiásticas do povo judeu não acreditavam que Jesus fosse o próprio Deus. Por isso, diziam que Ele blasfemava, ao se revelar como tal (João 10:33). Mas se eles usassem uma pequena dose de bom senso, concluiríam que a presença do Criador em forma de Homem, era necessária; pois, em Êxodo 33:20, está escrito que ninguém poderia ter um contato com sua pessoa, estando Ele na sua essência; assim como não se pode manusear um cabo de alta tensão e energizado. Eis o motivo porque Deus se fez Homem; sem deixar de ser Deus. Esse fato vai além da compreensão humana!

Que Deus nos abençoe.

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