Num artigo anterior, já argumentamos sobre o verbo de que vamos falar aqui. Mas, infelizmente, alguns não assimilaram bem as definições prestadas no referido artigo. Por essa razão, faz-se necessário um exame das Escrituras Sagradas e, bem assim, uma explicação mais detalhada alusiva ao assunto, com base, não só na origem do verbo perdoar, mas também nos textos bíblicos em que ele aparece.

Segundo a etimologia, que estuda a origem das palavras, o verbo perdoar vem do substantivo perdão, cujo significado é desculpa (anulação da culpa); assim, como a desordem é a anulação da ordem. Com isso, podemos dizer que, quem está perdoando está desculpando, anulação a culpa, e não o culpado (a pessoa).

Em 2a Cr6nicas 7:14, lemos o seguinte: “se o meu povo se humilhar e se converter dos seus maus caminhos, então, eu perdoarei os seus pecados.” De acordo com o texto mencionado, uma vez que perdoar significa desculpar, anular a culpa, quando Deus perdoa, ele desculpa, ou seja, desfaz a culpa (o pecado) e não o culpado (o pecador).

Portanto, quem diz que Deus não perdoa o pecado, e sim, o pecador, como já, ouvimos alguém afirmar, está cometendo um erro gramatical, conhecido como verbalismo, que consiste em atribuir a uma palavra um significado que não pertence à mesma.

Para deixarmos mais claro, ainda, o que estamos definindo sobre o assunto, convém citarmos Marcos 2:5 e Lucas 11:4. Em Marcos, o Senhor Jesus diz: Filho, os teus pecados estão perdoados. No original: Técnon, Afiendé Su ré Ramartíe. Em Lucas, temos as palavras: perdoa-nos os nossos pecados. No texto original: Afes Rimin Tas Ramartias Rimón. Nesta passagem, o verbo perdoar está no imperativo, e quatro, das cinco letras que constituem o substantivo perdão, aparecem no referido verbo.

Observação: A palavra pecado está no plural, no grego, e surge de forma diferente, por estar no nominativo, em Marcos e no acusativo, em Lucas. Isso é um recurso da língua grega, conhecido como declinação. Essa pratica também é usada em nosso idioma, mas somente com os pronomes pessoais.

Finalmente, concluímos este nosso periódico, com as duas frases seguintes e respectivas definições, conforme abaixo:

1 — Deus perdoa o pecado ao pecador.

2 — Cristo me perdoou e me salvou.

Na primeira frase, queremos dizer que Deus anula a culpa (o pecado) e o culpado, isto é, o pecador é beneficiado através da anulação da culpa. Eis a razão de o verbo perdoar possuir dois complementos. Um direto e o outro, indireto. Pois, a culpa (a dívida ou débito, o erro, o pecado, a infração, a ofensa) é anulada, aniquilada, e, indiretamente, a pessoa é favorecida, mediante a anulação da culpa.

Na segunda frase, o pronome oblíquo ME vem junto aos verbos. No primeiro case (Cristo ME perdoou), o pronome exerce a função de complemento verbal indireto de pessoa (objeto indireto de pessoa). No segundo (Cristo ME salvou), o pronome funciona como o objeto direto (de pessoa), pois quem salva, salva alguém, diretamente.

Os pronomes oblíquos, ME, NOS, TE, VOS, LHE, LHES, quando ligados a verbo transitivos indiretos, como é o caso, por exemplo, do verbo perdoar, vêm precedidos da preposição “A”, que é uma das características do complemento verbal indireto (objete indireto). Lembrando, que essa preposição estará subentendida, com os referido pronomes.

Quanto ao mais, não esqueçamos   que o verbo em apreço é transitivo direto e indireto, segundo os melhores dicionários.

Irmão Dionísio

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