AS SUTILEZAS DE CRISTO
É certo que o Senhor Jesus, algumas vezes, falava de um modo aparentemente contraditório. Notamos esse procedimento em passagens tais, como: João 11:4, 14:28 e Mateus 28:18. Todavia, em Mateus 13:34-35 e Salmos 78:2, percebemos a razão pela qual Cristo se expressava de um jeito “enigmático”, digamos assim.
Em várias ocasiões, o Senhor se posicionava como sendo igual a Deus. Exemplos disso, vemos em João 10:33, João 11:25, João 14:9 e Mateus 18:20. Em outras situações, Ele falava de maneira tal, que parecia ir de encontro às outras afirmações feitas por Ele mesmo.
Em Mateus 28:18, o Senhor declara que todo poder lhe foi dado. Essas palavras não devem ser entendidas no sentido literal, pois em Filipenses 2:7 lemos que Jesus se esvaziou de sua glória. Temos aí um verbo reflexivo, cuja ação reflete sobre a pessoa que a praticou. Isto significa que o próprio Cristo retirou de sobre si mesmo todo o poder, por se despojar entre nós (Filipenses 2:7 e Gênesis 18:1-2). Após executar seu propósito aqui na terra, o Senhor reassumiu a sua glória. Assim, não devemos definir o verbo DAR, no sentido literal, como se alguém tivesse doado algo a Ele; pois ninguém poderia doar ao Senhor aquilo que já lhe pertencia.
Do mesmo modo, Gênesis 3:9, Gênesis 6:6, Gênesis 18:21, Êxodo 3:7-8 e 1º Reis 19:13 devem ser entendidos como linguagem humana usada por Deus, e não como contradições. Por exemplo, em Gênesis 6:6, o Senhor diz: “Eis que me arrependo”. Ora, o arrependimento é algo humano, fruto de um imprevisto, o que não se aplica a Deus, visto que Ele é onisciente.
O fato de o Criador falar conosco em linguagem humana nos leva a expressões como: a boca de Deus, o coração de Deus, as mãos de Deus, os olhos de Deus, etc. Como se Ele fosse um ser humano.
O Senhor se comunica com os humanos na linguagem deles; assim, como para “conversar” com os passarinhos usamos sua linguagem, Deus também fala de forma acessível a nós.
Os argumentos que estamos apresentando visam defender a deidade de Cristo, embora alguns textos o chamem de filho de Deus e primogênito. Porém, tais passagens não devem ser interpretadas ao pé da letra. É o caso de Êxodo 4:22, onde Deus disse que Israel é seu filho primogênito. A palavra “filho”, aplicada a Jesus, não significa que Ele seja uma criatura, mas sim que Ele veio ao mundo como homem, de maneira sobrenatural, por ato divino.
Cristo foi homem como nós, mas ao mesmo tempo possuía uma natureza divina. Por isso, pôde morrer em nosso lugar, algo impossível para um anjo ou qualquer criatura limitada (Hebreus 2:9; Salmos 8:5).
O verdadeiro Logos, que era Deus desde a eternidade, tornou-se homem sem deixar de ser Deus (Gênesis 18:1). Isso é um mistério que transcende a razão humana (Isaías 55:8-9).
Quando Jeová se fez homem, em Gênesis 18:1-2, por seu atributo de onipresença, Ele estava não só ali, mas também em todo o universo. Da mesma forma, Jesus possuía duas naturezas: a divina e a humana. É como um rei que se faz mecânico — e continua sendo rei.
Portanto, as palavras de Cristo, aparentemente contraditórias, nada mais são do que expressões dessas duas naturezas.
Que Deus nos esclareça.
Irmão Dionísio