DEUS PROMETE SARAR A TODOS, OU NÃO?

Relativamente ao assunto de que vamos tratar, a Bíblia, de fato, apresenta passagens que mostram a vontade divina quanto à questão da cura física. E mais: o Senhor Deus empenha Sua palavra dizendo: Eu, o Senhor, falarei e a palavra que Eu falar, se cumprirá (Ezequiel 12:25). E ainda: Eu velo sobre a minha palavra para a cumprir (Jeremias 1:12); e, em Isaías 55:11, Ele afirma: A palavra que sair da minha boca, não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei.

Em Êxodo 23:25, o Senhor diz: “Servireis ao Senhor, vosso Deus, e Ele abençoará o vosso pão e a vossa água e tirará do vosso meio as enfermidades. No Salmo 103:3, o salmista Davi afirma: “Ele é quem perdoa todas as tuas iniquidades e sara todas as tuas enfermidades”. Em Isaías 53:4,5, lemos o seguinte: “Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e pelas suas pisaduras [ferimentos] fomos sarados”. Em Jeremias 29:11, está escrito: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais”. Em Marcos 16:18, o Senhor Jesus declara: “Se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados”.

Inegavelmente, os textos mencionados revelam a disposição de Deus em restaurar a saúde dos Seus servos. Porém, há os que se opõem a essa realidade; alegando não ser a vontade do Senhor sarar a todos. Todavia, em resposta aos opositores, apresentamos os argumentos do evangelista Fred Francis Bosworth, que escreveu um maravilhoso livro, cujo título é “Cristo, aquele que cura”. Na página 227 do referido livro, esse servo do Senhor acrescenta: “Uma tradição diz que não é a vontade de Deus curar todas as pessoas. Neste livro e em nossas pregações pelo rádio, temos contestado esta afirmação de todas as formas possíveis. Se a vontade de Deus fosse curar apenas alguns que precisam de cura, então, pessoa alguma teria uma base sólida para a fé, até que recebesse uma revelação especial de que está entre os favorecidos. Se a promessa de cura divina não fosse para todos, então, ninguém poderia afirmar qual é a vontade de Deus, com base nas Escrituras.

A partir do ensinamento dessa tradição, temos de concluir que devemos fechar a Bíblia e receber uma revelação direta do Espírito, antes de orarmos por um enfermo, pois a vontade de Deus, nesta questão, não poderia ser reconhecida a partir das Sagradas Escrituras. Seria o mesmo que ensinar que toda a atividade divina, na questão da cura, deveria ser governada pelas revelações diretas do Espírito em vez da Palavra de Deus”.

Vimos, portanto, que, de acordo com as palavras do saudoso evangelista, usado poderosamente no ministério de cura e libertação, as promessas divinas sobre cura devem, mesmo, ser consideradas como sendo para todos os que creem, sem exceção. Do contrário, não seria possível determinar, através da Bíblia, quem estaria incluído nas passagens em que o Senhor nos oferece essa dádiva do céu; pois, segundo a opinião de F. F. Bosworth, se admitirmos que a cura física não é para todos, então seremos forçados a fechar o livro sagrado e buscar uma revelação direta do Espírito Santo; porque, só assim, saberíamos que estaríamos orando pela pessoa certa, sem qualquer dúvida, isto, porque a fé não pode falhar; visto que ela está firmada exclusivamente na vontade divina conforme 1ª de João 5:4, onde o autor dessa epístola diz que a fé é a vitória; e a razão para que a mesma seja vitoriosa, é que já tenha por base o querer divino.

Por sinal, ela pode ser vista como uma alavanca que move a mão de Deus e, assim como toda alavanca precisa de uma base de apoio (ou ponto de apoio), assim também, a fé, sendo comparada a uma alavanca, dependerá igualmente de um ponto de apoio, que, sem dúvida alguma, é a vontade divina; como se pode extrair das passagens de Mateus 6:10, Romanos 10:17 e 1ª de João 5:4.

E, visto que falamos de fé, é importante lembrar as palavras de Jesus em Mateus 6:10, onde Ele usa a frase “Seja feita a Tua vontade”; orientando os Seus servos para o fato de que a fé deve mesmo estar firmada especificamente na vontade divina, e não necessariamente no Seu poder, doutra maneira o Senhor Jesus estaria sendo redundante. E, por falar em redundância, convém notar que, a velha frase “Seja feita a Tua vontade”, quando, sequer conhecemos a vontade divina, deve ser descartada, por não estar em harmonia com a Palavra de Deus; pois se para orarmos em busca de resultados, temos que conhecer a vontade divina, e, ao mesmo tempo tomar posse da fé, o uso da referida frase não faria sentido algum; seria, realmente, um pleonasmo. Entretanto, a mesma tradição é válida, nas situações em que já conhecemos a vontade do Senhor, mas, por alguma razão, desejamos negociar com Ele, uma eventual possibilidade de Ele mudar de ideia, ou de vontade, digamos assim (Mt 26:39,42). Afora essa condição, o uso da frase mencionada não possui qualquer respaldo  bíblico. Isto, porque, quando oramos em busca de resultados, como já foi dito, devemos ao mesmo tempo, conhecer a vontade de Deus e tomar posse da fé (Hebreus 11:6 e Romanos 10:17).

Haja vista, que, Abraão creu, ouvindo a palavra do Senhor, comunicando Sua vontade ao Seu servo. O mesmo acontecendo com Noé, Moisés e outros; pois a fé começa, onde a vontade de Deus é conhecida (F. F. Bosworth).

A realidade de que a fé tem como ponto de apoio a vontade do Senhor, pode ainda ser vista em Romanos 10:17; ali, o apóstolo Paulo diz que “A fé vem quando ouvimos a palavra de Deus”. Isso nos permite compreender que, para fazer uso da fé, é necessário ouvir a Sua palavra; pois só assim, podemos conhecer mais facilmente a Sua vontade; posto que não é possível saber o que as pessoas querem, sem antes ouvirmos suas palavras. Portanto, para sabermos o que Deus quer, nada mais justo que ouvirmos a palavra de Deus. Assim sendo, para conhecermos a vontade do Senhor, temos que buscá-la na Bíblia, ou pela revelação direita do Espírito Santo; visto que segundo Hebreus 11:6, “Sem fé é impossível obter favores do Senhor”. Não esquecendo, entretanto, que para tomar posse da fé, é preciso, antes, conhecer a vontade divina (Romanos 10:17); lembrando, mais uma vez, que, a vontade de Deus e a fé são duas ferramentas poderosas e infalíveis em nossas orações!

Que Deus nos abençoe, e não nos esqueçamos de que, para obtermos favores do Senhor, o conhecimento de Sua vontade é indispensável para o uso da fé; pois, do contrário, a fé não vai além de um monossílabo tônico, constituído de uma consoante, uma vogal e um acento agudo, nada mais!

 

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